Programa Nuclear Brasileiro

Aqui são tratados diversos assuntos relacionados à construção civil técnicos, notícias, tecnologias e afins.

A crise do petróleo de 1973 e a revisão dos contratos de suprimento de combustível nuclear feita pela USAEC, em julho de 1974, causaram uma aceleração dos planos energéticos e nucleares brasileiros. O Plano 90, elaborado em 1974 pela companhia elétrica nacional Eletrobras,estabelecia a construção de 12 centrais nucleares até 1990 a fim de satisfazer as crescentes exigências energéticas do país e compensar as possíveis carências do setor hidrelétrico no futuro. Finalmente, o governo do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) planejou a gradual aquisição do ciclo completo de produção do combustível nuclear. Esse plano, elaborado no mês de setembro de1974, incluía também tecnologias duais (para usos tanto pacíficos quanto militares), como o enriquecimento de urânio e o reprocessamento de material irradiado, útil para a produção de plutônio. Para administrar o futuro setor nuclear nacional, o governo criou uma empresa estatal, a Nuclebrás, chefiada por Paulo Nogueira Batista, o diplomata que conduzira, desde o final dos anos1960, as negociações sobre temas nucleares. Vista a indisponibilidade dos Estados Unidos para cooperar em matéria de transferência de tecnologias e suprimento de novas usinas nucleares, o Brasil, como relevado por muitos depoentes, após ter sondado diplomaticamente vários países industrializados, assinou um importante acordo de cooperação com a República Federal da Alemanha. No dia 27 de junho de 1975 o governo de Bonn se comprometeu a transferir ao Brasil pelo menos oito reatores de tipo PWR, similar ao fornecido pelos Americanos para Angra 1, e o nuclear fuel cycle sob salvaguardas internacionais da Agência Internacional de Energia Atômica(AIEA). Nesse período, ao lado de críticas domésticas, houve crescentes pressões políticas norte-americanaspara evitar que o Brasil, visto como um possível país proliferador de armas nucleares, pudesse receber tecnologias sensíveis. O governo alemão, já nas fases de negociação, decidiu transferir um método de enriquecimento, o jet nozzle, não comprovado a nível industrial. A política restritiva de Washington, sobretudo durante o início da presidência de Jimmy Carter (1977-1981), e a crise econômico-financeira do Brasil causaram uma reavaliação do programa nuclear civil.

A parábola do programa paralelo.

No final da presidência Geisel, as deficiências do acordo com a Alemanha, devidas à impossibilidade de transferência de componentes fundamentais para o domínio do ciclo do combustível nuclear e comprovadas por uma Comissão Parlamentar de Inquérito, causaram a instituição de um projeto nuclear secreto sob a coordenação da CNEN, dirigida a partir de 1982 por Rex Nazaré Alves e implementado pelas três Forças Armadas. Se o objetivo inicial era obter a tecnologia para produzir hexafluoreto de urânio, o programa evoluiu para incluir todas as etapas de produção de energia, a construção de um reator miniaturizado para a propulsão nuclear naval e até mesmo o desenvolvimento de explosivos nucleares. O programa, paralelo ao civil conduzido pela Nuclebrás, foi definido como autônomo. Este não era ligado à cooperação internacional, não era sujeito ao regime de salvaguardas internacionais e não devia obedecer às crescentes restrições impostas pelos Estados Unidos e o Nuclear Suppliers Group, o cartel de países produtores de combustível ou tecnologias nucleares. O programa paralelo somente tornou-se público depois do fim do regime militar. De fato, em setembro de 1987 o presidente José Sarney anunciou ao país e à comunidade internacional que o Brasil tinha alcançado a capacidade de enriquecer autonomamente urânio através um programa nuclear mantido secreto para garantir a segurança nacional. O programa finalmente foi desmantelado durante a presidência Collor quando foi unificado ao programa civil anteriormente baseado na cooperação com a Alemanha. O fim do programa paralelo foi celebrado em Setembro de 1990 quando o presidente Fernando Collor de Melo, durante uma cerimônia pública, fechou o campo de teste de explosivos nucleares na base da Aeronáutica localizada na Serra do Cachimbo, no norte do Pará. A cerimônia teve um forte impacto internacional e foi seguida uns dias depois por um novo evento de grande relevância para a história nuclear brasileira. O então presidente, em ocasião do discurso proferido perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, anunciou que o Brasil abria mão do direito de desenvolver explosivos nucleares pacíficos. Abandonando uma das bandeiras tradicionais da diplomacia brasileira, desde 1967, Collor abriu o caminho para a adesão do Brasil aos regimes internacionais de não proliferação nuclear. Entre 1991 e 1994, o Brasil aceitou salvaguardas internacionais abrangentes e aderiu plenamente à área latino-americana livre de armas nucleares. Finalmente, sob a presidência de Fernando Henrique Cardoso, o governo aderiu em 1998 ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

A retomada do programa nuclear: perspectivas atuais.

Os anos 1990 podem ser considerados a década perdida para o programa nuclear brasileiro. Se de um lado houve grande dinamismo diplomático para acessar os regimes internacionais de não proliferação, de outro o programa nuclear continuou a viver uma fase de decadência por efeito da crise econômica que afetou o país entres os anos 1980 e 1990. Razões econômicas e financeiras causaram o fechamento da planta de conversão de hexafluoreto de urânio e a suspensão da construção das plantas nucleares Angra 2 e Angra 3, fruto do acordo de cooperação com a Alemanha Ocidental de 1975. Paralelamente, o programa nuclear da Marinha, que tinha produzido uma tecnologia para a separação isotópica de urânio por ultra centrifugação, foi redimensionado financeiramente levando à suspensão do projeto de construção de um submarino a propulsão nuclear. Esses retrocessos, todavia, não demonstram que o Brasil tivesse completamente abandonado a energia nuclear. No final dos anos 1990 de fato apareceram sinais da retomada do programa nuclear brasileiro. Em 1998, por exemplo, o Congresso aprovou a reativação dos projetos para a construção de uma planta industrial para a produção de combustível nuclear e estimulou a colaboração entre os centros de pesquisa da Marinha e a indústria nuclear. Ao mesmo tempo, o governo decidiu racionalizar a gestão de Angra 1 e de futuras usinas nucleares criando uma nova empresa: a Eletronuclear. A nova empresa pública, subsidiária da Eletrobras, foi fruto da fusão do setor nuclear de Furnas e a Nuclen. Além disso, decidiu-se finalizar a construção de Angra 2. O programa nuclear foi então revitalizado no começo dos anos 2000. Assim, depois de 25 anos do acordo com a Alemanha, a usina de Angra 2 foi finalmente inaugurada. Em 2004, a Indústrias Nucleares do Brasil(INB) – que tinha substituído a Nuclebrás em 1988 – começou a construção da planta industrial de enriquecimento de urânio utilizando as centrífugas desenvolvidas pela Marinha do Brasil em Iperó(São Paulo). Essa iniciativa coincidiu com a aprovação, uns anos depois, do ambicioso plano energético Brasil 2030, que inclui a construção de várias centrais nucleares no país e a conclusão da central Angra 3. No âmbito militar, a Marinha do Brasil reativou o programa de construção de submarinos nucleares, do qual muitos entrevistados são ou foram protagonistas desde os anos setenta.De acordo com as declarações mais recentes do governo, o primeiro exemplar será inaugurado nos estaleiros brasileiros em 2023.

A atual construção da Usina Nuclear de Angra 3 e os novos desafios para transformação de uma planta tão antiga e analógica para uma planta digital e funcional que atenda os novos padrões reguladores internacionais, atualmente, cerca de 70% das obras da usina estão prontas. Desde que os trabalhos foram retomados em 2010, o Brasil gastou 9 bilhões de reais no projeto. Para terminá-lo, são necessários mais 17 bilhões de reais. O problema é que, se quiser desistir da obra, o governo terá de desembolsar 12 bilhões para pagar os empréstimos, desmontar as estruturas e dar um destino às máquinas. “É mais vantajoso terminar, até porque o Brasil vai precisar gerar mais energia de base, que não depende da hidrologia, para voltar a crescer”, afirma o professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, afirmou (agosto de 2020) que a estruturação do financiamento das obras da usina nuclear de Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), deve avançar no início de 2021. A companhia mantém os planos de iniciar as obras de concretagem e montagens em outubro do ano que vem, de forma que a usina entre em operação em 2026. As obras seguirão duas frentes. Num primeiro momento, a Eletrobras implementará um “plano de aceleração do caminho crítico”, para, segundo Ferreira Júnior, deixar Angra 3 em condições de receber o “epecista” — empresa que finalizará a construção de obra por contrato de EPC (do inglês Engineering, Procurement and Construction). A perspectiva é publicar o edital do EPC em agosto de 2021, com início das obras do epecista em março de 2022. “A licitação de um epecista é a melhor saída, com maior retorno aos acionistas”, afirmou o executivo, durante teleconferência com analistas. Para essa fase de preparação do terreno para as obras, a Eletrobras aprovou a concessão de um adiantamento para futuro aumento de capital (Afac) da subsidiária Eletronuclear, para acelerar providências para a retomada das obras da usina nuclear de Angra 3. A operação envolve R$ 1,052 bilhão em 2020 e R$ 2,447 bilhões em 2021.

A grande questão é até que ponto nosso programa nuclear é atual, por exemplo a unidade 1 da Usina de Energia Nuclear Barakah, nos Emirados Árabes Unidos (Emirados Árabes Unidos), enviou sua primeira eletricidade para a rede dos Emirados Árabes Unidos no dia 19 de agosto, segundo nota do embaixador do país nos Estados Unidos, uma planta totalmente nova e utilizando o reator APR1400 que foi aprovado pela U.S.N.R.C em dezembro de 2014;

O APR1400, desenvolvido pela Coreia, é um reator de água pressurizado de duas voltas. Tem uma vida de design de 60 anos.

 

Os desafios para o atual programa nuclear são enormes, é preciso atualização de nosso programa e continuação das construções nucleares, Pernambuco é a bola da vez para receber em seu território um complexo nuclear, composto por 6 usinas, com uma potência instalada de 6.600 MW, a um custo total de 30 bilhões de dólares. O município “escolhido” foi o de Itacuruba distante 470 km de Recife, na beira do Rio São Francisco. Conhecido como rio da Integração Nacional, banha 7 estados, beneficiando com suas águas mais de 500 municípios, com 20 milhões de nordestinos dependendo direta ou indiretamente deste grandioso rio e de sua bacia hidrográfica. Aguardemos...

Projeção da Eletronuclear, para a usina em Itacuruba, com seis reatores

 

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